NOTÍCIAS DAS JOVENS PROMESSAS DE CAMAÇARI NO BOLSHOI

Uma família diferente

15 de março de 2011

O jornal de Joinville “A Notícia”, produziu uma reportagem contando a história e o dia a dia dos nossos pequenos astros. Leia abaixo:

 

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Quem passa pela frente da casa do professor de informática Joselito Pereira, não tem dúvidas de que ali vivem bailarinos do Bolshoi – e não são poucos. As cores no varal não mudam, são uma infinidade de branco que parecem uma bandeira da escola. Os uniformes são de cinco jovens bailarinos que vieram de Camaçari, na Bahia.


Há quase três anos, Daiane Pereira, Alexandre dos Santos e Érica de Oliveira chegaram a Joinville com 11 anos e grandes expectativas. Vieram sozinhos e passaram um mês ligando para a Bahia todos os dias com voz chorosa. Joselito não aguentou. “Eu já estava me desligando da empresa, depois de seis anos sem nenhum problema no meu trabalho, mas queria acompanhar minha filha no sonho dela”, conta ele, que é pai de Daiane.
Joselito tinha uma boa motivação: quando era adolescente, jogava no Esporte Clube Vitória e sonhava em ser profissional. Mas quando teve a oportunidade de mudar para São Paulo para jogar futebol, aos 14 anos, a mãe não liberou a viagem. “Eu não ia fazer o mesmo com a minha família. Não importa o que vai acontecer, só o fato de estar estudando balé do jeito que ela queria é suficiente para nos deixar satisfeitos e saber que deixar tudo – emprego, família, amigos – para trás está valendo a pena”, afirma.


Foi correndo atrás do sonho da filha Daiane que Joselito e a mulher Cleide Nunes também viraram pais de Alexandre dos Santos, 14 anos e Érica de Oliveira, 13. Depois, vieram Pâmela dos Santos Silva, 13 anos, e Andressa Oliveira Araújo de Moura, 11 anos. E, Diego Kauã, dois anos e meio, que não é bailarino, mas nasceu no meio dessa bagunça de sapatilhas. Bagunça não, porque organização é palavra de ordem na casa, que segue as mesma regras do Bolshoi. “Definitivamente, eles estão tendo uma educação melhor aqui. Se crescessem na Bahia, não teriam a mesma disciplina”, afirma Joselito. As crianças concordam: as escolas de Joinville têm aulas mais difíceis, mas a principal dificuldade dos adolescentes foi a comunicação. “Por causa do sotaque, no começo a gente não entendia o que os colegas falavam e eles não nos entendiam”, conta Érica.

Mas se os adolescentes tiveram de aprender a se organizar para dar conta da rotina que o Bolshoi impõe, o pai social também corre atrás. Para estar disponível aos seis filhos, ele arrumou um emprego das 22 às cinco da manhã. Quando chega em casa, é hora de levar os estudantes para as aulas de dança. O resto do dia é para Joselito e Cleide deixarem tudo pronto para quando eles voltarem, no fim da tarde. Cleide trabalhava fazendo doces em Camaçarí, mas agora é mãe em tempo integral. E haja fôlego para dar conta de deixar tantos uniformes branquinhos.


"Não importa o que vai acontecer, só o fato de estar estudando balé do jeito que ela queria é suficiente para nos deixar satisfeitos e saber que deixar tudo – emprego, família, amigos – para trás está valendo a pena."


Joselito Pereira, pai biológico e social de alunos do Bolshoi

 

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