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Pés que se renderam a um pedido

26 de março de 2010

Matéria publicada no site A Notícia

Pés que se renderam a um pedido

FOI DE MANSINHO, COM UM SINGELO BILHETE, QUE ALEXANDRE, DA SEGUNDA SÉRIE DA ESCOLA DO BOLSHOI, GANHOU UMA SAPATILHA AUTOGRAFADA PELA BAILARINA NATALIA OSIPOVA


A solista Natalia Osipova retornou para a Rússia, mas antes deixou um presente para Alexandre Vieira dos Santos, 12 anos. Ele não é apenas mais um aluno da Escola do Teatro Bolshoi. Por meio de um bilhete, conseguiu a sapatilha de destaque utilizada no espetáculo “Don Quixote” e a atenção da solista do Teatro de Moscou. O presente foi entregue ontem, no intervalo das aulas. Assim, Alexandre começou com o pé direito o seu legado no balé.

Todos tiveram a ideia de pedir um autógrafo à bailarina russa na própria sapatilha, porém, Alexandre agiu diferente. Desconhecendo o idioma, pediu ao professor Denys Nevidomy que traduzisse seu recado. No bilhete, o pedido: “Querida bailarina da Rússia, queria saber se poderia me dar a sapatilha e o leque. Muito obrigado, Alexandre.”

Antes que a bailarina se apresentasse na Noite de Gala, o aluno entregou o bilhete. Nos bastidores, Natalia leu e, olhando para Alexandre, fez um sinal de positivo e disse “OK”, confirmando que havia entendido o pedido.

Depois do espetáculo, ninguém precisou lembrá-la. Antes de ir, Osipova parou na recepção e retirou da bolsa a sapatilha autografada. Ela disse apenas “Alexandre”, com o sotaque russo, e gesticulou que era para o pequeno bailarino. Isso foi o bastante para a coordenação entender que era o presente esperado.

Em casa, quando recebeu a notícia, Alexandre estava jogando “Bomberman” no videogame. Por telefone, a escola avisou que o presente estava guardado. Alexandre nem voltou a jogar, comemorou e chorou de alegria. De início, os pais sociais acharam que não seria possível. “Eu não queria contar para eles, queria chegar com a sapatilha em casa, mas não aguentei”, disse ele, sorrindo.

Sapatilha nas mãos, ele descobriu alguns segredos da bailarina. Ela arrancou parte do revestimento, costurou duas fitas rendadas e fez modificações na ponta para auxiliar os passos de dança. Outros bailarinos se surpreendem, pois, diferente deles, ela não passa uma fita adesiva para fixar e firmar a sapatilha nos pés.

Assim como os outros alunos, Alexandre também fez uma foto com o bailarino Ivan Vasiliev e ganhou um autógrafo. Agora, a sapatilha se unirá às outras lembranças, guardadas no armário de Alexandre.

“Do Bolshoi, é o melhor presente que eu já recebi”, garante o aluno. Para os amantes de futebol, é como se fosse a chuteira do jogador Cristiano Ronaldo. Mas eles preferem outro calçado. Os colegas da escola pediram a outra sapatilha, caso ele ganhasse o par. Mas o pé esquerdo Natalia entregou ao supervisor-geral da escola, Pavel Kazarian.

Além da sapatilha, Alexandre espera também seguir o legado e ir estudar na Rússia. Hoje, ele está na 2ª série do Bolshoi e faz planos para sua carreira. “Quero me formar em dança clássica e contemporânea. Depois, ingressar na Companhia Jovem e tentar um estágio na Rússia”, definiu.

O baiano iniciou seu aprendizado com apresentações de dança em uma igreja Batista em Salvador. Ainda em Camaçarí, conheceu a escola e fez os testes. Passou na primeira etapa e, depois, foi aprovado nos três testes realizados em Joinville. O garoto já conhecia o trabalho de Natalia antes de ingressar no Bolshoi, por meio de vídeos na internet. Este ano, ele pôde conhecê-la, pessoalmente. “Ela é muito boa no balé, eu gostei muito dela”, explica ele.

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